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Clube de Gatos do Sapo

Este blog pertence a todos os gatos que andam aqui pela plataforma do Sapo, e que pretendem contar as suas aventuras do dia a dia, dar conselhos, partilhar experiências e conhecimentos, e dar-vos a conhecer o mundo dos felinos!

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Agora sei o que se sofre quando um animal nos foge de casa...

Hoje....

Agora, que escrevo já consigo estar bem mais calma. Já tenho a minha Ritinha novamente em casa. 

Ontem...

Ontem não foi bem assim... Que susto, que horas de aflição passamos nós ontem... que noite... E tinha que ser logo a uma segunda-feira... Parece-me que os inícios de semana querem ter um malapata comigo... enfim... Mas agora, já está tudo mais calmo.

Nunca pensei ter que passar por uma experiência destas. Hoje, como ninguém, ou melhor como só por quem já passou pela experiência de saber que o seu animal de estimação se perdeu, por qualquer razão alheia à nossa vontade... nos foge de casa e desaparece... Compreendo o que se sofre. Até ontem, tinha uma ideia vaga do que seria sentirmos-nos impotentes, perante um não saber o que fazer. Talvez até fosse um pouco recriminatória e pensar, mas que falta de atenção... Agora não posso dizer ou pensar o mesmo... 

Como ela fugiu de casa? Porque o fez? E agora? Ai se me foge para a rua e é atropelada. Ou se foge para os quintais vizinhos e se perde? As horas a passar e ela sem comer, sem beber água, sozinha... E tantas mais perguntas rodopiavam num turbilhão de pensamentos, na minha cabeça. Para onde mais recorrer, quando se percorreu todos os lugares possíveis e imaginários e nem sombras da gata. Aquele sofrimento desesperante e distante estava agora em mim.

A única coisa que sabia era que ela tinha se escapado, porta fora, a quando da saída de casa do meu pai. Nunca antes o fizera. Nunca antes tinha dado sinais de querer sair. Nem sequer se aproximava da porta da rua. Como, se ainda se lembra-se do que passou. Do que sofrera até chegar a minha casa. Talvez seja a minha interpretação dos factos, do tempo em que esteve na rua e do que possa ter passado. Certo é que nunca se sabe o que vai na cabeça daquelas criaturas. 

O meu pai angustiado, por ter sido com ele que ela fugira. Como se tivesse tido alguma culpa. E eu, no escritório, sem poder sair... a ansiar pela hora do almoço, para ir à sua procura. Acalentava a esperança que ela não se tivesse afastado muito, que ainda estivesse no jardim, escondida no meio da vegetação, ou quem sabe... subido a um árvore, mas em casa. Ainda a vi, estive a menos de um palmo de a agarrar. Deita-me um olhar, que interpretei como de "olha para mim a ignorar-te" e foge. Ainda vou a correr atrás dela, mas perco-a de vista. Chamo... chamo... até ficar com a garganta seca e nem sinais dela. Estaria assustada. Estaria com medo de algum gato, dos vizinhos que por lá se passeiam e a tenham intimidado? Não sei responder. Só sei que que "caí" numa angustia tremenda por não conseguir a agarrar e a levar novamente para casa. O que iria ser da minha bichinha se não mais a visse...

Vizinhos foram alertados, amigos e conhecidos em busca da gata e nem sinais dela. E eu teria de voltar para o escritório. O corpo estava, o resto não... E sentimos-nos vazias... ocas... impotentes. Por um bichinho que está a poucos dias de fazer 7 meses, do dia em que veio para casa. A Ritinha, a mesma que fui renitente na sua vinda para casa, com receio dos outros 3. A mesma que me cativou, e se eles sabem bem o fazer! Que aos poucos foi ganhando o seu lugar na casa, que com o Jaqui brincava às escondidas, com a Bia tinha uma relação cordial e com a Nikki, a rainha cá da cocada, à minha frente é muita paz e amor, assim que viro as costas, gosta de mostrar que quem manda no pedaço é ela. Nunca se agrediram, nunca brigaram. Apenas uns arrufos. Nada mais. Mas até isso estava muito mais calmo. Já era esporádico.

Continuo sem saber a razão pela qual ela ontem fugiu...

Ao final da tarde, de volta a casa, já sem qualquer esperança de a ver... volto a percorrer o espaço. Volto a chamar por ela. E descubro-a. Em cima dum esteiro. Chamo por ela. E volta-me a ignorar... Corro a casa para trazer-lhe um pratinho com comida, a preferida. Talvez o odor da comida a fizesse aproximar de mim. E nada... Afastava-se mais. Para a zona que a todo o custo queria evitar que fosse. O muro que dá acesso aos vizinhos. Ainda por mais sabendo que, por acaso, não estavam aquela hora em casa. Estive nisto até às 11 horas da noite. O cansaço vencera-nos. Ela dava sinais de querer ficar ali a noite. Amanhã seria um novo dia, talvez mais calma, fosse mais fácil a agarrar. Até aqui nem um miado de reconhecimento me fizera. Nada. Simplesmente me ignorava.

Hoje, bem cedo, e depois de uma noite mal dormida. Se é que dormi alguma coisa?... Voltei ao local onde a tinha avistado pela última vez. Não a vi... Voltei a chamar, e a chamar e nisto oiço um miado baixinho. Não era a minha Ritinha, era a Sissi, a gatinha do vizinho.

Agora é que nunca mais a vou ver...

E novamente um miado, baixinho. Desta vez não era da Sissi, o som vinha de cima, do esteiro. E lá estava ela. A reconhecer-me a querer descer e não saber como. Lá vou buscar um escadote, tento me aproximar dela e ela, renitente, afasta-se.

Não, por aqui não é solução. Talvez um pratinho de comida, consiga ser o isco, para a agarrar. Subi novamente ao escadote. Chamei por ela. O cheiro da comida, associado a uma barriga a dar horas, foi mais forte e aproximou-se. O suficiente para a agarrar, com todo o cuidado. Ou não fossemos as duas cair do escadote. Desci, tranquilamente com ela no colo. Até aqui estava a correr tudo tão bem... Estava até ela ver a gata e se assustar e entrar em paranóia, bufar, estrebuchar, arranhar-me toda. E quase... quase me fugir novamente. Não sei se a magoei, mas consegui segurar-lhe as quatro patas e encaminhar-me para casa. Onde acalmou... comeu, bebeu e agora descansa. Trancada no meu quarto.

Agora é tempo de sarar as feridas. As arranhadelas que me deixou, e não foram poucas. Mas principalmente, as feridas que se abriram por ter passado por uma experiência como esta. Felizmente, a minha Ritinha está agora, novamente em casa. Outros tantos não podem dizer o mesmo.

Agora sei o que se sofre...

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