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Clube de Gatos do Sapo

Este blog pertence a todos os gatos que andam aqui pela plataforma do Sapo, e que pretendem contar as suas aventuras do dia a dia, dar conselhos, partilhar experiências e conhecimentos, e dar-vos a conhecer o mundo dos felinos!

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As marcas de uma vida nas ruas

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A vida nas ruas pode não matar, mas deixa as suas marcas bem vincadas nos animais que são obrigados a lá sobreviver.

Não podendo entrar dentro de cada gato e saber o que têm a dizer da vida nas ruas, é certo que conseguimos encontrar gatos que parecem viver felizes assim, e outros que davam tudo por um lar.

De uma forma ou de outra, viver na rua têm os seus perigos, os seus riscos, e as suas consequências.

 

 

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A Boneca foi abandonada há quase 7 anos pela família que a tinha acolhido e, desde então, o seu lar tem sido a rua.

Quando a conheci, era uma gata extrememente dócil, mansa, submissa. Os outros gatos abusavam dela, e ela deixava. Era uma gata que se podia pegar à vontade, à qual podíamos fazer festas.

Com os anos, passou por várias gestações, tendo ficado sempre sem os seus filhotes, mortos pelo vizinho à nascença. 

Começou a ficar deprimida, a emagrecer, quase pensámos que iria morrer de desgosto.

Mas conseguiu dar a volta.

 

 

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Hoje, é uma gata que, se não estiver a ver, aceita algumas festinhas no lombo mas, mal vê a mão à sua frente, bufa e lança a pata. É desconfiada, não permite que se aproximem muito, embora venha ter connnosco e saiba que temos sempre algo para lhe dar, e um carinho para lhe fazer.

Hoje, é uma gata cujas orelhas acusam a destruição pelo sol, feridas, com crostas.

A Boneca é um bom exemplo daquilo que as ruas podem fazer a um animal.

 

 

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Sim, ela vive nas ruas, e ainda está viva. Mas sabe-se lá as doenças que não terá apanhado, os parasitas que não terá, o sofrimento que ela já passou, e de que forma isso marcou a sua personalidade.

Hoje, é uma Boneca "calejada" a que nos aparece à porta de vez em quando.

E deixa-nos sempre um duplo sentimento: de alegria, por estar viva e ainda nos conhecer, e de tristeza, por ver no que ela se tornou...

A Boneca veio tomar o pequeno-almoço

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Sempre gostei desta menina!

Desde que começou a andar por ali nos nossos quintais, abandonada. Já se passaram quase 5 anos, e continuo a sentir algo de especial pela Boneca.

 

Acompanhei esta miúda desde os tempos que ela era a doçura em gata, um ser indefeso que deixava os outros fazerem tudo, a menina que podia estar a comer, mas chegava-se para o lado se a irmã ou outro gato aparecesse. A Boneca que gostava de se esfregar nas nossas pernas, que gostava de festinhas, que deixava pegar ao colo.

 

 

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Essa foi a Boneca que, um dia, entrou na nossa casa e passou lá a noite, tendo sido devolvida à rua, para onde queria voltar, na manhã seguinte. Era na rua que se sentia bem, embora gostasse de vir até casa, por instantes.

 

A Boneca de hoje, é totalmente diferente...

Tal como a vida marca os humanos, também a vida dura da Boneca a marcou para sempre.

O facto de ter sido várias vezes mãe, e de sempre lhe terem tirado e matado os filhos, tornou-a desconfiada, descrente nos humanos. A sua luta diária por um pouco de comida, por um abrigo nos dias de chuva, pela sobrevivência, transformou uma gata meiguinha numa gata silvestre, que agora não deixa ninguém aproximar-se muito e, muito menos, tocar-lhe.

 

Já esteve num estado de magreza extremo, na altura em que tinha os filhotes, e pensámos que não iria aguentar. Depois, o vizinho começou a dar-lhe a pílula, e ela recuperou. Estava descansada porque sabia que esse vizinho também lhe dava comida. Por isso, esteve muito tempo sem parar aqui no quintal.

 

Mas, no outro dia, veio miar. Está mais magra novamente. Devia estar com fome. Dei-lhe a pouca comida que tinha aqui no momento. Entretanto, comprei uma embalagem para ter por casa, não fosse ela aparecer novamente.

Veio esta manhã, estava eu a sair para despejar o lixo. Olhou para mim e miou, como que a pedir comida. Pus ração numa caixa e deixei-a comer sossegada.

 

Talvez ela precise de voltar a confiar nas pessoas. De voltar a acreditar que ninguém lhe fará mal. Talvez a Boneca ainda possa voltar a ser a mesma de antes.

Ou talvez a vida tenha tornado isso irreversível...

A Boneca

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A Boneca (nome com que a baptizei), também conhecida por Branquinha (nome que o meu vizinho lhe chama), é mais velha que a Tica.

Filha da gata de uma vizinha, que entretanto levaram para outro lado, ficou por ali abandonada à sua sorte.

Num final de tarde, sem darmos conta, ela tinha entrado em nossa casa!

Na altura, ainda sem a Tica, a minha filha quis ficar com ela. E chegou a passar uma noite em nossa casa. Fomos comprar comida, uma liteira e areia, e ela portou-se bem. Dormiu num antigo sofá que tínhamos na entrada.

Mas logo percebemos que ela não seria o tipo de gata que podemos prender em casa. Se a Tica, que sempre foi habituada, está sempre à espera de uma oportunidade para ir à rua, ainda mais a Boneca, que estava habituada à rua.

Não queríamos prendê-la, e por isso deixámo-la sair na manhã do dia seguinte. Quase todos os dias a vemos, embora por vezes passe algumas temporadas sem aparecer. Cheguei, a certa altura, a pensar que ela tinha morrido, mas continua bem viva.

O nosso vizinho também lhe dá comida e, se ela está por ali à noite, acaba por dormir no barracão com o seu gato. 

Já teve vários filhotes, que o meu vizinho se encarregou de fazer desaparecer, até que tomou consciência e resolveu comprar a pílula para lhe dar. Chegou a estar muito magrinha, mas a partir do momento em que deixou de ser mãe, voltou ao peso normal.

Infelizmente, a Tica não se dá com ela, nem a quer lá em casa. E eu também não tenho condições financeiras para ficar com as duas. Mas tenho um carinho muito especial por esta menina que é muito vulnerável e submissa, embora tenha mudado um pouco depois de ter sido mãe.