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Clube de Gatos do Sapo

Este blog pertence a todos os gatos que andam aqui pela plataforma do Sapo, e que pretendem contar as suas aventuras do dia a dia, dar conselhos, partilhar experiências e conhecimentos, e dar-vos a conhecer o mundo dos felinos!

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A decisão mais acertada?

Foto de Marta E André Ferreira.

 

Ontem saímos para ir ver o espectáculo de videomapping no centro de Mafra.

Antes, o meu marido teve que passar pelo hospital, e de seguida fomos à farmácia. Já nos despachámos tarde, Mafra estava cheia e tivemos que procurar estacionanamento longe do centro.

Eu não estava com muita vontade de ir, mas o meu marido queria ver como era o espectáculo e, depois de falar à minha filha, também ela queria ir.

Estacionámos num parque novo e, quando estamos a chegar, o espectáculo acaba! Desilusão. Vemos um mar de gente a dirigir-se para o estacionamento e digo ao meu marido "vem já, senão apanhamos com esta gente toda".

 

E é quando estamos a ir de volta para o carro que nos deparamos com esta gata. 

Miava, talvez com fome, talvez assustada, talvez perdida...

Tinha a ponta da orelha ferida e já a formar crosta. 

Muito meiguinha, veio logo quando a chamámos, e só queria mimos e festinhas.

Está gordinha, o que nos leva a crer que alguém a alimenta.

 

O meu marido queria levá-la ao veterinário. Mas, lembrei-o, não temos dinheiro para isso neste momento.

A minha filha queria levá-la para casa. Mas não poderia arriscar juntá-la às nossas gatas, sem saber como está de saúde e, lá está, não temos dinheiro para isso.

Pensei em levá-la para a nossa rua, mas não faço ideia se a gata estava perdida, ou se está habituada a estar ali, e não fazia sentido estar a tirá-la de um local que conhece, para trazê-la para uma rua estranha, só para estar mais perto e poder alimentá-la.

 

Ainda ficámos lá bastante tempo, enquanto esperávamos que os carros saíssem do estacionamento, eu e a minha filha sentadas no passeio, e a gata deitada ao pé de nós. Só não gostava muito quando a tentávamos pegar ao colo.

 

Sem nada que pudessemos fazer, a não ser partilhar, ela acabou por ir à sua vida, e nós à nossa, rumo a casa.

 

Terá sido a decisão mais acertada?

 

 

Amar não é aprisionar, mas sim dar liberdade

Ontem estava a passar pelo facebook, numa página de gatos, que já não me recordo do nome, (com muita pena minha, pois ia ajudar-me neste post) e vi uma história, da morte de uma gata. Uma gata, que sempre foi uma gata de rua e que nunca conseguiram que fosse feliz dentro de uma casa, apesar das várias tentativas de particulares e associações. E nos comentários, percebi dois tipos de opiniões: os das pessoas que achavam que a rua não era local para a gata sobreviver e a das pessoas que diziam que a gata só seria feliz na rua e que “amar não é aprisionar, mas sim dar liberdade”. E se por lado, eu também sempre achei que a rua nunca seria segura para os gatinhos, e que o ideal seria todos terem um lar; o que é certo é que se um gato que sempre foi de rua se sentir aprisionado, mesmo tendo mais conforto, dificilmente será mais feliz dentro de casa do que fora. Da mesma forma, que um gato que sempre viveu dentro de casa, se tiver a infelicidade de ser abandonado na rua, nunca será feliz, terá fome, calor ou frio, nem se saberá defender capazmente.

 

Talvez a resolução para um gato que sempre foi de rua, esteja num lugar onde pudesse ter rua sim, mas com protecção, por exemplo uma quinta, com espaço, árvores, cabanas, outros animais, mas com uma cerca que os protegesse dos perigos. Mas acredito que a maior parte das vezes tal não é possível. Mas uma coisa é certa, o animal tem de estar com o que o faz feliz, mesmo que essa felicidade seja em tempo mais curto. Do que vale viver em segurança e conforto, se a tristeza for imensa!?

 

Quando, eu própria tirei o Rafael do campo, onde eu o via tão feliz a correr pela horta na brincadeira com os irmão, tive dois sentimentos que entraram em contradição dentro de mim: estava a tirá-lo do ambiente de onde ele parecia tão feliz, mas estava a levá-lo para um local mais seguro. Felizmente, talvez por ele ainda ser novinho, adaptou-se bem ao novo lar, e parece-me continuar feliz. Mas e se eu o visse triste e deprimido, como me iria sentir? Teria coragem de o devolver ao seu ambiente, mesmo sabendo que um dia poderia saltar o muro, ir para estrada, ser atropelado, ou andar sujeito a parasitas, a doenças!?

 

Não são decisões fáceis de tomar, nem de depois vivermos com elas!

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Para quando uma linha de emergência para animais?

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Quando uma pessoa se sente mal e precisa de uma ambulância ou cuidados médicos, em casos de acidente, e outros, ligamos para o 112.

E, quando um animal sofre um acidente, para quem ligamos? Quando nos deparamos com um animal ferido, a quem recorremos? Quem é a entidade responsável?

No passado fim de semana, o meu marido encontrou um gato atropelado na estrada. Juntamemente com outros condutores, que pararam os carros, conseguiram tirá-lo da estrada, para a berma, ainda com vida.

"E agora, o que fazemos?" - perguntaram eles.

O que se faz numa situação dessas?

São as pessoas que, por sua conta e responsabilidade, têm o dever de levar o animal ao hospital ou clínica veterinária mais próxima? E como saber onde esses serviços existem, num local em que estão de passagem, e que não conhecem? 

Se assim não for, a quem ligar? Às associações?

E naquele momento, saberemos nós que associação actua na zona? E os contactos? E mesmo que os tenhamos, haverá voluntários que se disponibilizem a ir até ao local, a qualquer hora do dia ou da noite?

Já para não falar das enormes despesas que estas já têm acumuladas de todos os animais que tratam.

Aqui na nossa zona, como já aconteceu, nenhuma entidade se responsabiliza. Ou pagamos nós, os que encontram, e depois logo se vê se tem dono, se não tem, e se reavemos o valor das despesas ou não. A protecção civil só recolhe cadáveres.

É complicado porque, neste meio tempo em que não se sabe bem a quem recorrer ou que decisão ou atitude tomar, pode estar a diferença entre a vida e a morte de um animal.

O gato que o meu marido encontrou, estava em sofrimento. Acabou por morrer ali mesmo, pouco tempo depois.

Talvez não houvesse mesmo nada a fazer. Ou talvez pudesse ter sido feito. Se não por este, por outros, se houvesse uma linha que pudessemos ligar, e alguém habilitado que pudesse ir até ao local, e encaminhar para os serviços veterinários.

 

Ah e tal, são animais. Como dizia um indivíduo que mais valia ter seguido caminho em vez de estar a dizer disparates "é só um gato, levar ao veterinário para quê?" ou "então, agora é pegar no gato e pô-lo no contentor, para quê chamar a protecção civil?".

 

É verdade. São animais. Mas também sofrem, também têm dores, também merecem ser tratados e ter uma hipótese de viver.

Claro que, num país em que nem para os humanos existem meios suficientes e eficientes, capazes de dar resposta em situações de emergência, morrendo muitas pessoas por assistência tardia, ou falta dela, será pedir demais que se faça isso em relação aos animais.

 

 

Ontem foi dia de consulta

Ontem decidimos levar as duas meninas a fazer uma visita ao veterinário.

Mal peguei nas transportadoras, para lhes passar um pano e tirar o pó, já se estavam as duas a enfiar lá dentro :) Só não gostam muito de ir de carro, fechadas. Mas adoram estar nas transportadoras.

Chegados ao gabinete, a Amora portou-se bem. A Becas, pela primeira vez, bufou!

 

 

Foto de Becas e Amora.

A Becas está uma gatona saudável, com 4,400 kg (tinha 3,650 kg em setembro passado) - nas palavras do veterinário, com um pelo lindíssimo e parecida com um lince! Apesar do nosso receio de que estivesse a comer demais, o médico diz que ela está bem assim, e só se continuar a aumentar em demasia é que será caso para começarmos a controlar a alimentação dela.

 

 

Foto de Becas e Amora.

Sobre a Amora, e dada a sua situação especial, tudo o que já passou e o que ainda ontem descobrimos - que ela não tem praticamente dentição, e os dentes que tem estão partidos, na opinião do médico "é uma sorte ela ainda estar entre nós, e da forma como está". Feitas as análises, estão todos os valores em ordem, e vai ser esterilizada na próxima sexta-feira.
Não podíamos adiar mais esta decisão, mesmo sabendo dos riscos que ela corre.
A verdade é que, tal como suspeitava, a Amora não só não engordou nada, como ainda emagreceu, desde setembro passado - passou dos 2,900 kg para os 2,650 kg.
A continuar com cios contínuos, iria continuar a emagrecer.
Assim, até pode ser que não piore a situação da incontinência, que comece a engordar (embora com o problema dela o crescimento e o peso sejam condicionados) e, na melhor das hipóteses, que melhore a incontinência.

Tomámos a decisão que achámos ser a melhor. Espero que se venha a revelar a mais acertada...

Mr. No Ears - um gato muito disputado!

 

O Mr. No Ears (senhor sem orelhas) é um gato branco de cerca de 4 anos, sem orelhas e com apenas um olho, e já é conhecido internacionalmente! Até tem uma página dedicada a ele no facebook - https://www.facebook.com/MrNoEars!

Vivia com os seus amigos e família felina, integrado numa colónia de gatos vadios, em frente ao Hotel Rocamar, na falésia, com vista à Praia do Peneco, em Albufeira. Perdeu um dos seus olhos ainda em pequeno, devido a um ataque de gripe. Já as orelhas, foram removidas devido a dermatite solar.

Neste momento, este gato está a ser diputado pela Associação dos Amigos dos Gatos do Algarve, que tem vindo a tratar do Mr. No Ears há alguns anos, e chegou a utilizá-lo para campanhas de angariação de fundos da associação, e um casal do Vale do Sousa que, em setembro, pensando que o animal se encontrava abandonado e maltratado, o levou consigo para adoptá-lo e cuidar dele.

Embora a associação considere este acto um rapto, existindo já uma petição para que o gato seja devolvido à sua colónia, na falésia de Albufeira, já com mais de 3 mil assinaturas, o casal afirma que a sua intenção foi a melhor.

De facto, Andreia Martins e Paulo Batista, que recolhem e cuidam de animais de rua há vários anos, dizem que não conheciam o gato antes de terem passado férias naquela zona e que, quando perguntaram quem cuidava dos gatos, responderam-lhes que ninguém o fazia. Foi por isso, e pelo seu aparente débil estado de saúde, que decidiram resgatá-lo e cuidar dele.

E, enquanto esta disputa se desenrola e se decide quem é o detentor legítimo do gato, este encontra-se num canil, depois de apreendido pela GNR do Porto.

Será que isto faz algum sentido? 

Penso que acima de tudo se deve avaliar o que é melhor para este gatinho: se continuar na colónia de gatos vadios, embora acompanhado de perto pela Associação dos Amigos dos Gatos do Algarve, ou ficar com o casal que o quis adoptar.

Em último caso, lembrem-se da sábia decisão de Salomão, quando lhe surgiram duas mulheres a querer disputar a mesma criança, afirmando ser sua filha.

Por vezes, pelo bem estar daqueles a quem queremos bem, é preferível abrir mão deles!

Espero que tudo se resolve depressa, para que oMr. No Ears volte a ser feliz, independentemente de onde e com quem venha a ficar!